No país, shoppings reduzem crescimento de 16% para 12%

No país, shoppings reduzem crescimento de 16% para 12%

03 de novembro de 2008
Fonte: O Globo


A indústria de shopping centers brasileira reviu projeções de crescimento para este ano, por causa do aperto monetário do governo e da crise financeira mundial. Mas deve manter uma expansão ainda em dois dígitos.

Antes, a expectativa era repetir o crescimento registrado em 2007, de 16%. A partir do segundo semestre, no entanto, o setor passou a trabalhar com o percentual de 11% a 12%. As grandes empresas do setor dizem que vão manter os investimentos para 2009 e 2010. Mas as de médio porte, dizem especialistas, poderão ser obrigadas a rever planos e correm o risco de virar um alvo das grandes, desencadeando um novo processo de consolidação.

De acordo com Marcelo Carvalho, presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), os investimentos programados pela indústria continuam normais até o momento.

Mas é possível que só os mais sólidos possam prosseguir.

— Em cidades onde havia uma corrida, com projetos de mais de uma empresa, aquela que for mais capitalizada e der mais segurança ao lojista tende a sair ganhando — diz.

Carvalho admite que este ano o crescimento do setor deverá ser inferior ao registrado em 2007, quando a indústria cresceu 16%. Ele diz que ainda é cedo para pensar em 2009 e que projeções serão discutidas em um segundo momento: — Este percentual tinha sido mantido até o primeiro semestre deste ano mas tivemos que rever os números, levando em conta o aperto monetário do governo, passando a projetar crescimento de 11% a 12%.

Para o consultor Luiz Alberto Marinho, mesmo capitalizadas, as grandes empresas poderão em algum momento rever investimentos, dependendo da situação em que estiverem seus sócios investidores.

— Os shoppings em construção neste momento devem ir adiante e os que ainda estão em fase de estudos podem ser adiados, dependendo dos efeitos da crise. Mas independentemente de crise, o setor passará por nova consolidação. Enquanto em 2007 e 2008 a fase foi de construção de shoppings, em 2009 o caminho poderá ser a compra de empreendimentos existentes. Dentro desse raciocínio, as empresas menores podem ser um alvo — avalia.

Há 40 projetos para os próximos dois anos O diretor-executivo da Brascan Shopping Centers, Bayard Lucas de Lima, afirma que a crise irá separar “os homens dos meninos”. Para ele, a crise poderá afetar as empresas de médio porte que poderão ter dificuldades de acesso ao crédito.

— Hoje, apenas as cinco maiores empresas do setor, que estão capitalizadas, vão manter seus projetos para 2009 e 2010.

Já as empresas de médio porte poderão ter mais dificuldades pela falta de crédito. A tendência é ver, em um primeiro momento, os projetos destas empresas sendo absorvidos pelas maiores e, em um segundo momento, a absorção destas empresas — diz Lima.

Hoje, segundo ele, há 40 projetos programados na indústria de shopping centers para os próximos dois anos, sendo que as grandes do setor, no caso a própria Brascan, a Multiplan, a Ancar, Iguatemi e BR Malls, respondem, juntas, por 60% dos projetos. Os outros 40%, diz, estão pulverizados em empresas de menor porte. Para ele, os shoppings poderão até vender menos, mas vão continuar a vender.

Bayard acredita que, quem tiver empreendimentos concentrados nas classes A e B não vai ter um impacto tão grande nas vendas, ao contrário dos shoppings de baixa renda, onde o corte no consumo deverá ser maior.

A Brascan manterá os projetos para 2009 e prevê para setembro a entrega do shopping na Vila Olímpia, em São Paulo e outro empreendimento em Mogi Mirim para dezembro de 2009.

No primeiro trimestre de 2010, o shopping BCP Green Valley, em Alphaville, São Paulo, ficará pronto. No Rio, o shopping Rio Sul terá concluída em dezembro a primeira revitalização.

Cristina Betts, vice-presidente da Iguatemi Empresa de Shopping Centers também manterá as obras de shoppings em São Paulo (Shopping Iguatemi JK e Iguatemi Alphaville) e um em Brasília (Iguatemi Brasília, que será inaugurado no segundo semestre de 2009).

— Em um horizonte de 24 meses o cronograma segue inalterado. Com relação à indústria, a crise pode desacelerar um pouco o crescimento mas não será nada drástico O diretor de Operações Sul e Sudeste da Aliansce, Carlos Bocaiuva, também afirma que os projetos para 2009 e 2010 estão mantidos. O Boulevard Shopping Belém será inaugurado em março de 2009. Em 2010, serão abertos os shoppings Boulevard Brasília e Boulevard Belo Horizonte, além da expansão do Bangu Shopping, no Rio.

Segundo ele, a General Growth Properties (GGP), empresa americana de shopping centers, uma das investidoras da Aliansce no Brasil (as outras são Gávea Investimentos e o empresário Renato Rique) não está em dificuldades por causa da crise americana e que a empresa continua mantendo seus planos de investimento.

— Fizemos um planejamento sólido. Claro que o setor pode ser afetado mas o impacto não será tão forte.
 

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