Brascan acelera integração com Company e MB

Brascan acelera integração com Company e MB

8 de dezembro de 2008
Fonte: Valor Econômico

A primeira parceria entre a paulistana Company e carioca Brascan aconteceu em 1997 em um empreendimento que reunia escritórios e flats no bairro de Moema. Onze anos e quinze empreendimentos em conjunto depois, as duas companhias gastam boa parte do tempo entre digerir a crise financeira e fazer um amplo processo de integração.

A partir de 1 de janeiro, as duas companhias começam a dividir a mesma sede administrativa, em São Paulo, onde trabalharão cerca de 130 profissionais. Segundo Luiz Fernando Moura, a empresa cortou 15 pessoas. "Mas foi sobreposição de funções", afirma Luiz Fernando Moura, diretor da Brascan Residential. A companhia, segundo o executivo, não fez cortes em função da crise.

A aquisição da Company pela Brascan – que envolveu o pagamento de R$ 200 milhões, mais troca de ações – foi anunciada em setembro e efetivada em plena crise, no dia 22 de outubro. "Não foi uma compra oportunista, mas estratégica", diz. Em abril, a Brascan já havia comprado a MB Engenharia, empresa de capital fechado com sede em Goiânia e atuação no Centro-Oeste.

A Company já deixou de ter as suas ações cotadas em bolsa e, gradativamente, passa a assumir o novo sobrenome corporativo. Por contrato, os antigos acionistas da Company continuam no negócio por mais cinco anos – estão em posições estratégicas no dia-a-dia da empresa. Capitalizados e acostumados a atuar somente em São Paulo, agora fazem parte de uma operação com braços também no Rio e Centro-Oeste e que pertence à canadense Brookfield, que administra US$ 90 bilhões em ativos, dos quais US$ 40 bilhões na área imobiliária.

Nos primeiro semestre, as duas empresas haviam lançado R$ 838 milhões (R$ 405,8 milhões da Brascan e R$ 433 milhões da Company). No segundo semestre, segundo Moura, as duas empresas vão lançar, juntas, R$ 1,84 bilhões, sendo R$ 360 milhões no Rio, R$ 278 milhões no Centro-Oeste e R$ 1,2 bilhão em São Paulo – e, curiosamente, boa parte disso deve vir da Brascan e não da Company, cuja atuação é restrita a São Paulo, uma vez que a Company não fez nenhum lançamento no terceiro trimestre. Se confirmados esses números, a empresa fica muito perto da projeção de lançamentos já revisada da nova companhia, de R$ 2,7 bilhões. Em 2007, a companhia combinada havia lançado R$ 1,9 bilhão.

Entre os lançamentos escolhidos para o final do ano, a companhia priorizou o segmento comercial. Lança um prédio de escritórios em São Paulo, outro no Rio de Janeiro e em Brasília. O movimento também aconteceu em empresas como Cyrela e Even. "Em momentos de crise, há uma procura maior por ativo real e muitos investidores procuram salas comerciais", diz Moura.

A empresa ainda estuda o que fará com as marcas adquiridas, mas não deve, por exemplo, usar MB para o segmento econômico em todo o Brasil ou Company para alta renda. De acordo com o executivo, as marcas devem ser mantidas regionalmente para aproveitar a força que possuem nos mercados em que já atuam. A marca-mãe, no entanto, deve ser privilegiada em todos os empreendimentos. "A credibilidade da companhia é muito importante nesse momento", afirma.

Para o ano que vem, a Brascan deve continuar atuando na área comercial e deve dar destaque ao segmento econômico, onde a demanda e o crédito são mais abundantes, e, na outra ponta, na alta renda. "Mas não vamos abandonar o segmento médio."

O diretor da Brascan diz que a empresa continua atenta a oportunidades de aquisições no mercado imobiliário e que pretende usar as linhas do governo, cujas taxas são mais competitivas, assim que estiverem disponíveis.

 

image
© 2012 Brookfield Brasil
Rua Lauro Müller 116, 21º andar Botafogo - Rio de Janeiro - Brasil 22290-160